Economia

TAP: Tripulantes temem que a reestruturação se apresente como facto consumado e querem sacrifícios equitativos

26-10-2020

Rafael Marchante

Dada a ausência de informação por parte da administração da TAP, o Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) decidiu constituir uma equipa de trabalho multidisciplinar para acompanhar a reestruturação da companhia. Os tripulantes de cabine estimam perder este ano, em média, cinco salários, e o sindicato prevê a saída de mil trabalhadores até março

O Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) quer ser ouvido no âmbito de reestruturação da TAP, processo no âmbito do qual ainda não foi ouvido, o que lamenta. "Não podemos aceitar que este processo de reestruturação nos seja apresentado como um facto consumado, sem antes serem ouvidas as estruturas representativas dos trabalhadores, nomeadamente o SNPVAC, diz a direção do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil, em carta aos trabalhadores. a que o Expresso teve acesso. Por isso, o SNPVAC decidiu criar uma equipa multidisciplinar para trabalhar o tema.

Para os tripulantes de cabine, diz o sindicato, a reestruturação iniciou-se em março, com a não renovação dos contratos a termo. A estrutura sindical adianta que já foram afetados mais de 500 tripulantes. Até ao final de março de 2021, data do último contrato em fase de renovação, terão saído da companhia cerca de 1.000 tripulantes.

Os tripulantes de cabine estão sob forte pressão. Com o lay-off e a redução de horário, o SNPVAC estima que os trabalhadores que representa podem vir a perder este ano em média cerca de cinco salários, disse o presidente do sindicato, Henrique Louro Martins, ao Expresso.

A equipa de trabalho irá “assegurar uma colaboração efetiva do sindicato na construção de uma solução que ajude à viabilização da empresa, com o menor impacto possível em termos da sua atividade futura”. O objetivo é também “minimizar o impacto da reestruturação nas condições profissionais” dos tripulantes.

O sindicato assegura que quer garantir que "os eventuais sacrifícios são repartidos de forma justa, equilibrada e transversal a todos os grupos profissionais”.

O SNPVAC lamenta “o congelamento das progressões salariais e das progressões técnicas”, bem como o “prejuízo da não inclusão de prestações retributivas sujeitas a contribuições para a Segurança Social na compensação paga durante o período de ‘lay-off’”.

“É intenção do SNPVAC encontrar, com todos os intervenientes neste processo, soluções equilibradas, equitativas e que assegurem a manutenção dos postos de trabalho e a continuidade da nossa companhia”, garante o sindicato, apelando “ao sentido de união de todos os tripulantes de cabine neste momento único”.

O plano de reestruturação da TAP terá de ser apresentado em Bruxelas até 10 de dezembro. O objetivo da TAP e do governo é o de que fosse apresentado em novembro.