Economia

Covid-19: Agências de viagens exigem que o Governo legisle um sistema para reembolsos

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Associação APAVT adverte que a solução defendida pelo sector para que as pessoas que ficaram com as viagens canceladas devido à situação do Covid-19 as possam reagendar através de um sistema de 'vouchers' continua "sem ver a luz do dia"

10-04-2020

A Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT) exige que "de uma vez por todas, o Governo clarifique, legislando, em que termos pretende estabilizar o sistema de reembolsos" aos clientes que viram as viagens canceladas com a situação da pandemia do Covid-19.

Lembrando que nesta altura os "reembolsos aos consumidores estão sob pressão", a APAVT enfatiza haver aqui um "atraso do Governo", e que a solução defendida pela associação das agências de viagens "continua sem ver a luz do dia".

A APAVT reclama que o Governo de Portugal "clarifique a relação com os consumidores finais, legislando a favor de um sistema de reembolsos baseados em vouchers", de forma a criar "um caminho de confiança para empresas e empresários" e "atenuando drasticamente a insegurança dos consumidores finais".

Relativamente à questão de saber "porque é que as agências de viagens não estão a reembolsar na sua totalidade os clientes", a associação esclarece que as empresas do sector "enviaram o dinheiro dos clientes para hotéis, companhias aéreas e outros fornecedores de serviços turísticos, que não estão a devolver o dinheiro entregue, apesar de não terem efetuado qualquer serviço". A APAVT frisa não fazer juízos de valor sobre "esta atitude dos nossos parceiros, concretamente hotéis e companhias aéreas", alegando que "certamente que enfrentam igualmente enormes dificuldades de tesouraria, como todas as empresas do sector turístico".

Segundo a APAVT, "o sector sente-se, mais do que nunca, surpreendido pela demora na tomada de posição do Governo de Portugal, a quem instiga a clarificar o sistema de reembolsos antes que seja demasiado tarde, antes que todos os outros países europeus o tenham feito – como são já os casos da Bélgica, Espanha, França, Itália, Lituânia e Polónia, - antes que as agências de viagens sejam obrigadas a fechar as suas portas, gerando mais desemprego e, o que é mais importante, insatisfação dos consumidores".

Frisando que as agências estão preocupadas com a situação dos clientes, "com quem têm uma história de décadas e décadas de profundo relacionamento", A APAVT sublinha ainda que "confiança é o que é necessário construir, depois de todos termos assistido ao ruir de um quadro de relacionamento instituído e estabilizado há décadas", e que "sem confiança, dos clientes nas empresas e dos empresários no futuro, ruirá um sector que trouxe Portugal à tona de água, que produziu crescimento, travou a batalha do emprego e contribuiu, mais do que qualquer outro, para o equilíbrio das contas externas".

"As agências de viagens estão a travar a maior luta da sua história pela sobrevivência e pelo emprego dos seus colaboradores" e os seus empresários "estão a endividar-se, num quadro em que o futuro se apresenta mais incerto do que nunca", adverte a APAVT, reiterando o apelo para que o Governo legisle de forma rápida o sistema relativo aos reembolsos.