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“Mas as fadistas cantam com a voz ou com o cabelo? Eu não sou como as outras.” Pré-publicação da biografia da fadista Mariza

“Os Anéis do Meu Cabelo — A História de Mariza” é o título da biografia da fadista que esta semana chega às livrarias. Antes do lançamento, o Expresso publica em exclusivo o capítulo do livro em que Mariza começa a abrir as portas do fado, “arisca”, “teimosa” e “ansiosa por mostrar a sua arte”

26-10-2021

“Via‑se que ali havia pão, não eram aquelas bolinhas de água. Havia pão.” José Luís Gordo, o dono do Senhor Vinho, ainda se enche de orgulho por, naquela noite, no Berimbar, ter provocado Mariza até a fazer cantar fado. “Adivinhei que ela tinha qualquer coisa lá dentro de misterioso, e o fado é mistério.” Quando entrou pela primeira vez no número 18 da Rua do Meio à Lapa para cantar, Mariza tinha 24 anos. Era muito nova e bastante insegura no seu papel de cantadeira de fados. Maria da Fé, fadista de primeiro plano desde os anos de 1960 e dona do Senhor Vinho, era a sua grande conselheira na escolha dos temas. “Enquanto cantou aqui, ainda estava muito no começo. Não tinha repertório próprio, claro, cantava as poucas coisas que conhecia. Eu só a ajudava a escolher porque ela depois tinha muita facilidade em aprender e em cantar.”