Cultura

França devolve 26 peças históricas ao Benin

Metropolitan Museum de Nova Iorque anunciou que está a investigar a proveniência de 45 artefactos cambodjanos, podendo vir a tomar uma decisão semelhante

CHRISTOPHE ARCHAMBAULT/Getty Images

26-10-2021

Com a reavaliação contemporânea das depredações do colonialismo a acelerar pelo mundo fora, mais uma devolução de dezenas de peças da maior importância vai acontecer nos próximos meses e outra está a ser considerada.

Aquela que já está decidida diz respeito a uma série de 26 peças provenientes do Benin e saqueadas por tropas francesas nos anos 90 do final do século XIX, durante guerras com o então reino de Dahomey. Segundo a Artnet, as peças incluem estátuas, tronos e machados cerimoniais, e foram originalmente oferecidas àquele que era o primeiro Museu de Etnografia francês pelo general que combateu o rei de Dahomey.

Em 2020, França aprovou oficialmente a restituição das peças, que eram património do Estado há mais de um século. Entre esta terça-feira e o próximo domingo, pela última vez, as peças poderão ser vistas no Museu do Quai Branly, em Paris, acompanhadas por explicações sobre o respetivo contexto.

Entretanto, em Nova Iorque, o Metropolitan Museum, um dos mais importantes do mundo, anunciou que vai examinar a história de 45 objetos cambodjanos que se encontram nas duas coleções. Produzidos durante o império Khmer (séculos IX a XV), a probabilidade é que tenham sido subtraídos ao país durante as décadas finais do século XX, um período de grande instabilidade naquela zona do mundo.

O Metropolitan Museum fez questão de notar que foi ele próprio a abordar as autoridades no sentido de investigarem a proveniência das peças, manifestando total disponibilidade para colaborar com a investigação.

"O Met tem uma longa e bem documentada história de responder a alegações respeitantes a obras de arte, restituindo objetos quando apropriado, sendo transparente sobre a proveniência das obras na coleção, e apoiando investigação mais aprofundadas através da partilha de toda a informação conhecida sobre proprietários", disse o museu numa declaração.