Exclusivo

Cultura

12 anos de trabalho e uma obra monumental: Richard Zenith apresenta biografia de Fernando Pessoa com 1000 páginas

Editada há cerca de dois meses nos EUA e no Reino Unido, conhecerá uma versão portuguesa no verão do próximo ano. O Expresso leu o trabalho do Prémio Pessoa 2012 sobre o percurso de um génio “esquivo” e “frágil”

Enquanto investigava alguns papéis inéditos, ainda na posse dos herdeiros de Fernando Pessoa, Richard Zenith deparou com uma carta de quatro páginas, datada de “Londres, 26 de fevereiro de 1906” e enviada ao poeta por um amigo que ele conhecia dos tempos de Durban. Ao estudar a passagem de Pessoa pela África do Sul, que ocupou parte considerável da sua infância e adolescência, o estudioso construíra a imagem de um jovem introvertido e pouco sociável, mas a missiva que tinha nas mãos contava uma história diferente. Segundo o interlocutor londrino, eram vários os amigos que o recordavam como um membro do grupo particularmente brincalhão e assertivo. Ainda perplexo, Zenith pôs-se a decifrar a assinatura que rematava a carta e só então se fez luz. A pessoa que partilhava tão surpreendentes informações era G. Nabos; ou seja, Gaudêncio Nabos, um médico imaginário que faz parte da lista de muitas dezenas de alter egos, autores fictícios, heterónimos e semi-heterónimos que Pessoa foi criando e abandonando ao longo da vida. Aos seis anos, sabe-se que inventou um certo Chevalier de Pas que lhe escrevia cartas e lhe povoava a solidão. Aos 18 anos, pelos vistos, continuava a fazer a mesma coisa.

Este é um artigo do semanário Expresso. Clique AQUI para continuar a ler.