Exclusivo

Cultura

Quase quatro dezenas de artistas expõem obras cujo centro é a luz. É “Matéria Luminal”

“Matéria Luminal” conta com a participação de 38 artistas. Não atende à cronologia das peças nem se organiza em “blocos”

À sombra da luz, dos anos 1960 ao presente e com curadoria de Sérgio Mah. “Matéria Luminal” está no Museu Coleção Berardo, em Lisboa, até 9 de janeiro de 2022

Toda a exposição tem um princípio e um fim, porém, quando a exposição agarra uma matéria potencialmente infindável como a da luz, mesmo limitada a um tempo — dos anos 1960 para cá — a um espaço — Portugal — e a um lote de 38 artistas, portugueses também, o interminável insinua-se por toda a parte, perturbador mas exaltante. Felizmente que não há luz sem sombra, no ritmo natural do dia e da noite, que René Bertholo lembra e que as pinturas de Jorge Martins e Jorge Pinheiro e as silhuetas recortadas de Lourdes Castro diferentemente sublinham, marcando diferentes poderes da sombra na afirmação da luz construtora de corpos e de espaços.

Na intenção bem conseguida de Sérgio Mah, o curador, a exposição não atende à cronologia das peças nem se organiza em “blocos de artistas”. Alguns deles, como Jorge Martins, Fernando Calhau e Luísa Correia Pereira, têm trabalhos que atravessam vários espaços, num crescimento e manifestação da sombra, onde são acompanhados por José Barrias, Jorge Molder, Paulo Nozolino, Noronha da Costa, Rui Chafes, Helena Almeida e, muito especialmente, Manuel Rosa, numa escultura que vive da manifestação da própria sombra, em contraste com as peças solares de Eduardo Nery, de Bertholo ou de Rui Toscano. De outro modo, a luz sabe desvendar o oculto caminhando sobre um longo transparente em Gilberto Reis, ou rasante, exaltando superfícies, em Fernando Brito, ou ainda lembra memórias da observação das mais simples coisas em João Paulo Feliciano.