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Cultura

Todos os Poemas”, de Friedrich Hölderlin. Por Pedro Mexia

Representação de Hipérion, um dos titãs da mitologia grega, profícuo interesse do poeta, romancista e filósofo Friedrich Hölderlin (1770-1843)
D.R.

Nesta ‘integral Hölderlin’, traduzida por João Barrento, o ritmo assume tanta importância quanto o sentido, num arco temporal que vai de 1780 a 1843

25-07-2021

“Mas o que fica, os poetas o fundam”, dizia a tradução de Paulo Quintela que, durante décadas, serviu de apresentação de Friedrich Hölderlin aos leitores e aos poetas portugueses. Nesta nova versão, João Barrento transpõe assim esse verso: “Mas o que fica é herança dos poetas.” Enquanto em Quintela o acento tónico está no poeta enquanto fundador, em Barrento o que conta é o poema como herança. Isto significa que diferentes traduções poéticas não são apenas diferentes nas suas ideias quanto à tradução, mas na ideia que fazem da poesia. Ao dar-nos uma integral de Hölderlin, “do mais naïf e convencional ao mais elaborado e sublime, do mais heroico ao mais prosaico, do poema transbordante à brevidade do dístico epigramático”, fazendo acompanhar os poemas, fragmentos, ensaios e cartas de uma profusão de notas (textuais, históricas, geográficas, biográficas, bibliográficas), Barrento quer mostrar, completo, um Hölderlin que, tão atreito a mitificações, tende a ser mitificado. E propõe-nos uma tradução em que o ritmo tem a mesma importância do que o sentido, com efeitos de estranhamento ou opacidade, o contrário de um Hölderlin todo em harmonia, ainda que o texto de chegada seja bastante sóbrio e elegante.

Este é um artigo do semanário Expresso. Clique AQUI para continuar a ler.