A pandemia impediu a 18.ª edição da Kino de manter a sua edição física no Cinema São Jorge, em Lisboa, mas o vírus não levou a organização a abandonar a programação. A Mostra de Cinema de Expressão Alemã, uma vez mais organizada pelo Goethe Institut, acontecerá já a partir desta quinta-feira, em formato digital, na plataforma Filmin, e prolonga-se até dia 27.
Trata-se de uma mostra não-competitiva das cinematografias mais recentes da Alemanha, Áustria, Suíça e Luxemburgo (os quatro países de expressão germânica) e que se divide em três secções, com 18 longas-metragens que os portugueses poderão seguir a partir de casa.
Por aqui poderão ser vistos, entre outros, “Exílio”, do kosovar radicado na Alemanha Visar Morina, “Pode Ficar Para Amanhã”, novo documentário da austríaca Lisa Weber ou “Irmãzinhas”, de Stéphanie Chuat e Véronique Reymond, uma produção suíça com Nina Hoss, atriz regular no cinema de Christain Petzold (a estreia entre nós da última obra deste, “Undine”, foi adiada para março após o novo confinamento).
Contudo, é para a obra inaugural da mostra, “Berlin Alexanderplatz”, que se viram as atenções. O novo filme do cineasta germânico de ascendência afegã Burhan Qurbani foi uma das revelações da Berlinale do ano passado e é o seu trabalho mais exigente e arriscado até à data, nem mais nem menos do que uma atualização aos dias de hoje do opus magnum de Alfred Döblin.
O filme, protagonizado por Welket Bungué no papel de Francis, um refugiado que chega à Europa depois de um naufrágio, valeu ao ator luso-guineense, em novembro do ano passado, o prémio de melhor ator no Festival Internacional de Cinema de Estocolmo. Os ingressos online para a Kino não exigem uma assinatura da plataforma. Cada filme pode ser comprado avulso em video-on-demand.