Imagine um padre que não se parece com qualquer sacerdote católico que tenha conhecido: cabeça rapada, barba farta e hirsuta, corpulência de lutador, tatuagens várias, passado problemático. Don Manuel Vergara esteve na cadeia depois de um jovem ter morrido durante exorcismo, em Itália, ritual durante o qual o viu tirar uma moeda antiga debaixo da pele. Fuma e bebe. E acha que a internet é uma invenção do Diabo. Na primeira cena em que o vemos está em casa, a treinar furiosamente esmurrando um saco de boxe. E tem pose de boxeador. Chegou apenas há uns meses a Pedraza, província de Segovia, no coração de Castela, um fim de mundo onde nunca nada acontece. Até agora, até uma vaca parir um bebé.
Ao contrário do padre Vergara, Paco, o presidente da Câmara, a braços com extraordinários eventos na sua jurisdição, é um tipo meio choninhas a quem a mulher traz (quase...) à trela. Quando pede um café, é muito específico: descafeinado com leite meio-gordo, morno, num copo alto e com sacarina, não sei se estão a ver. Apesar disso tem um forte sentido de responsabilidade para com a população que o elegeu (e que ele espera que o volte a eleger...), o que faz com se meta a investigar as coisas bizarras que começam, em catadupa, a acontecer.