Cultura

“Os Pretos do Sado”. Os equívocos do antirracismo moral. Por Diogo Ramada Curto

“Estudo para o Ciclo do Arroz”, de Júlio Pomar
Cortesia Fundação Júlio Pomar/SPA

A memória da humilhação a que foram sujeitos os chamados “pretos do Sado”, habitantes da aldeia de Rio de Moinhos, perdurou e continua a impressionar, enquanto exemplo de discriminação racial

27-12-2020

Em 1995, mais de meio século decorrido desde a Exposição do Mundo Português (1940), ainda era viva a lembrança de que a GNR viera à aldeia de Rio de Moinhos, no Vale do Sado, para escoltar um médico ou cientista. Este, em cada visita, escolhia um homem do campo, por mostrar no corpo e na pele sinais de antepassados africanos, e levava-o para Alcácer do Sal. Ali, uma vez despido e com o cabelo rapado, era analisado e medido. Depois, era devolvido à aldeia, sem que lhe fosse dada qualquer explicação.

Embora não sejam conhecidos os resultados de tais pesquisas, o seu significado encontra paralelo noutros inquéritos de antropologia física ensaiados nas décadas de 1920 a 1940. Porém, a memória da humilhação a que foram sujeitos os habitantes daquela aldeia perdurou e continua a impressionar, enquanto exemplo de discriminação racial. É o que sugere Isabel Castro Henriques, no seu novo livro — uma densa monografia sobre os “pretos do Sado”, que aborda um tema lançado por Leite de Vasconcelos, em finais do século XIX, retomado em ensaios do etnomusicólogo Michel Giacometti (2010) e do escritor cabo-verdiano Joaquim Arena (2017).

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