A
inda Trump não saiu do poder e já a máquina ficcional americana o começa a tomar como personagem — e decerto não será a última vez. O vilão é demasiado apetecível, chegou suficientemente alto e ligado a histórias tão convidativas que o cinema e a televisão lhe hão de chamar um figo. Por agora é a sua relação com James Comey que está aí. A história baseia-se no livro “A Higher Loyalty: Truth, Lies, and Leadership” (“Lealdade a Toda a Prova: Verdade, Mentira e Liderança”, Ed. Presença) que o ex-líder do FBI publicou, um ano volvido sobre a sua demissão. É um testemunho laudatório sobre um homem que acredita no primado da lei a que nenhum cidadão se pode eximir e, deste modo, aprova procedimentos onde a autopreservação acolheria reticências. E contrasta a atitude de dois presidentes face à autonomia do FBI: Barack Obama, que mantém distância, Donald Trump que exige lealdades. Nomeado por Obama, em 2013, para um mandato de dez anos como diretor do FBI, James Comey, publicamente conotado com o Partido Republicano, foi uma figura marcante em torno do período eleitoral de 2016 que deu a vitória a Donald Trump.