O filme de começa pela memória do colapso das sociedades sob regime comunista após a queda do Muro de Berlim em 1989 e é um pré-aviso ideológico à tónica das ideias de Thomas Piketty que o resto do documentário de Justin Pemberton irá abordar. Apesar do principal tema da sua análise parecer dar razão a Marx que previa que a lógica capitalista conduz inevitavelmente à concentração do capital — e do poder inerente à sua posse — nas mãos de muito poucos, não se pode daí inferir que os caminhos políticos que o marxismo trilhou no século XX sejam uma hipótese de solução para um problema que o bom senso considera injusto e contrário ao bem comum. Ao invés, Piketty conclui, logo a abrir este filme, que o que o comunismo criou na Europa de Leste foi miséria e repressão política. Todavia, as consequências da falência dessas sociedades conduziu a uma fé sem limites no capitalismo, na desregulação dos mercados, na livre iniciativa, na propriedade privada.
Os resultados estão hoje à vista de todos: a concentração de riqueza nas mãos de muito poucos atingiu fronteiras nunca antes figuradas; fatias crescentes da população empobrecem sem esperança de qualquer retorno; os elevadores sociais entraram em panne em grande parte dos países do primeiro mundo; faixas cada vez mais vastas da população estão zangadas com o sistema, engrossando as hostes populistas, nacionalistas, xenófobas. Em última instância, é o próprio edifício político democrático que está em risco. Na realidade, os atuais níveis de desigualdade reproduzem os que existiam antes da Grande Guerra, há mais de um século — e sabemos todos no que isso deu... Corremos o risco de repetir os erros então cometidos e que se traduziram em revoluções sangrentas, tiranias, duas guerra mundiais.