O Palácio Nacional de Mafra e o Santuário do Bom Jesus em Braga passaram a integrar a lista do património mundial da Unesco, o que torna este domingo, 7 de julho, um “dia muito feliz”, segundo considerou a ministra da Cultura, Graça Fonseca. Mas, sublinha a governante, o património cultural precisa de ser tratado. E os privados e a sociedade civil têm de se envolver.
“Portugal foi o único país que inscreveu dois bens na lista da Unesco”, sublinhou Graça Fonseca em entrevista ao Jornal da Noite, da SIC, este domingo, na reação à inscrição destes dois bens portugueses na lista do património mundial, que contou ainda com o alargamento do património da Universidade de Coimbra para abranger o Museu Nacional Machado de Castro. Ao todo, são 17 os bens nacionais incluídos.
Graça Fonseca admitiu que ao longo de várias gerações o património cultural, que integra museus e monumentos, tem sido alvo de descuido (“tem-se investido pouco”), mas avançou que estão em curso intervenções em três ativos já classificados (Convento de Cristo, Batalha e Alcobaça).
O objetivo é “crescer” nesta área. É preciso “mais investimento”. E, aí, disse que é necessário “envolver vários parceiros, privados, como temos começado a fazer”. “O património cultural é de todos”, justificou, dizendo que se tem de chamar empresas e entidades da sociedade civil para esse esforço.
“A recuperação do património cultural tem impacto (…) na atratividade do nosso país”, defende. É um "ativo económico e social".
“O facto de hoje dois bens entrarem na lista significa colocar o património cultural no centro de políticas públicas de cultura, mas também de políticas públicas de economia e de coesão de território”, sublinhou a governante. Foi no âmbito do 43ª sessão do comité do Património Mundial, que está a acontecer em Baku, Azerbaijão, que foi anunciada esta decisão.
“A lista do património mundial integra bens de valor universal excecional, o qual é aferido através do cumprimento de determinados critérios e de condições de integridade e de autenticidade, bem como da existência de um plano de gestão, por forma a preservar o valor excecional do bem e assegurar a sua proteção eficaz enquanto algo que é propriedade de toda a Humanidade”, relembra o comunicado da comissão nacional da Unesco, integrada no Ministério dos Negócios Estrangeiros.
Vários ministérios têm de se juntar em Mafra
Neste campo, o conjunto monumental do Palácio Nacional de Mafra – que “inclui o Palácio propriamente dito, que integra a Basílica, cujo frontispício une os aposentos do Rei e da Rainha, o Convento, o Jardim do Cerco e a Tapada, sendo uma das mais emblemáticas e magnificentes obras do Rei D. João V”, descreve aquele comunicado – precisa de investimento, e de um trabalho conjunto dentro do próprio Governo.
Ministérios da Cultura, Agricultura e Defesa têm de se articular. “É um dossiê que tem vindo a ser trabalhado”, diz Graça Fonseca. A Tapada tem tido intervenções, a parte monumental também (carrilhões por exemplo), e está prevista também melhorias na infraestrutura para a instalação do Museu da Música, enumerou.
Já o Santuário do Bom Jesus do Monte em Braga – “um conjunto arquitetónico e paisagístico construído e reconstruído a partir do século XVI, no qual se evidenciam os estilos barroco, rococó e neoclássico” – é acompanhado pelo Estado, mas a intervenção é feita a um nível local, entre o município e a Confraria do Bom Jesus do Monte. “Aí há uma intervenção um pouco diferente da que tem de haver em Mafra”, evidenciou a ministra.