Cultura

O novo museu de Lisboa quer ser o hotspot da cidade (imagens exclusivas)

01-10-2016

António Mexia faz a visita guiada ao Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia, que é inaugurado esta terça-feira

A calma do rio Tejo contrasta com o reboliço na margem. A frente do futuro MAAT-Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia, em Lisboa, ainda não reflete a harmonia que se procura para o local, mas nada impedirá a inauguração de terça-feira. A garantia de que tudo estará pronto a tempo da inauguração está dada, mas António Mexia, CEO da EDP, não está descansado.

Há calçada por assentar, cerâmica por colocar na fachada e muita limpeza por fazer. Aqui trabalha-se em velocidade de cruzeiro, sempre com atenção aos pormenores para que nenhum percalço atrase as obras. Trata-se, segundo Mexia, “da realização de um sonho”, que começou quando naquele espaço, junto à Central Tejo, “havia um muro que separava a capital do rio”.

Começamos pelo topo, um telhado “feito para conviver” que se tornará um dos maiores miradouros da cidade. “É uma vista única e desafogada da frente ribeirinha, que permite ver a foz do Tejo, a zona industrial e a cidade”, diz Mexia, garantindo que “todas as pessoas podem vir aqui, mesmo que nunca tenham vindo ao museu”. Para o executivo, o MAAT não é apenas um museu para visitar, tratando-se “de um museu de experiências com o objetivo de trazer mais pessoas para a cultura, para a arquitetura e para a tecnologia, assim como para a energia, que está por todo o lado”. O espaço de exposição tem agora 4000 metros quadrados, com a Oval Gallery — onde estará a instalação site-specific de Dominique Gonzalez-Foerster — e a Main Gallery a assumirem-se como principais salas do MAAT, às quais se juntam um Video Room e um Project Room.

Mas o “novo hotspot de Lisboa”, como Mexia gosta de lhe chamar, não se cinge ao edifício orgânico, “pouco comum na arquitetura portuguesa, marcada por linhas retas”, criado por Amanda Levete. A área de intervenção ascende a 38 mil metros quadrados, onde se insere o MAAT, mas também a Central Tejo e jardins (estes com inauguração prevista para 2017).

Quanto ao posicionamento do MAAT face às referências mundiais, António Mexia é cauteloso, frisando “a diferença de escala”, sem que isso o impeça de revelar que “terá um pouco de lugares como o MoMA de Nova Iorque, o Serpentine Gallery de Londres, ou o HangarBicocca e o Pirelli, em Milão”. Será mesmo esse o segredo, “ter um bocadinho desta mistura que atrai as pessoas” e o estabelecimento de parcerias com outras instituições é outra das vantagens na construção da programação. A ideia é que estas “contribuam para que Lisboa esteja no circuito global” da arte contemporânea. O executivo traz para o mundo das artes “um paralelo com o que acontece no mundo, onde há competição mas também há cooperação”.

Com um investimento “que representa 0,6% do total global da EDP nos últimos três anos”, o MAAT é um museu mais aberto do que a maior parte dos espaços museológicos e tem na quebra de barreiras uma das suas bandeiras. “Fotografável, ‘twittável’ e comunicável sem restrições”, abre ao público na quarta-feira, com 12 horas de programação gratuita.