Nutro uma admiração radical pelo professor “Aníbal Cavaco e Silva” (acho que era assim que Jonas Malheiro Savimbi lhe chamava). A sua “uncoolness” é muito mais “cool” do que a “coolness” abraçadora e selfista de Marcelo. Ninguém o ama e muitos o odeiam. A direita considera-o um tecnocrata impermeável à ideologia. A direita beta sempre o viu como um arrivista, de meias brancas e sem pedigree.
A esquerda reage ao homem com uma incontrolável pulsão freudiana. A extrema-esquerda precisa dele como toda a gente precisa de um inimigo fundamental. Bem se esforça por substituí-lo por Passos Coelho na galeria de vilões, mas Passos Coelho é, para essa função, um sucedâneo sem o estranho brilho do original.