O ano de 2020 já tinha ficado marcado como aquele em que os profissionais de saúde fizeram mais horas extra no Serviço Nacional de Saúde, mas o mês de janeiro de 2021 bateu recordes em relação ao trabalho suplementar, escreve esta quarta-feira o jornal "i".
Os dados disponíveis no Portal da Transparência do Ministério da Saúde mostram que os profissionais de saúde fizeram 2,3 milhões de horas extraordinárias nos hospitais em janeiro, mês em que os internamentos atingiram também os valores mais altos registados durante a pandemia. De acordo com o jornal "i", mesmo no ano passado não se encontra um mês que supere este número de horas extra no Serviço Nacional de Saúde.
Ana Rita Cavaco, bastonária da Ordem dos Enfermeiros, alertou para a exaustão dos profissionais de saúde e para a necessidade de encontrar estratégias para ajudar quem esteve e continua a estar nas enfermarias ou nos cuidados intensivos: "As “pessoas têm ideia de que, nos cuidados intensivos, um enfermeiro trabalha 35 horas por semana, quando estão a fazer 80, o que é impensável em serviços com esta intensidade. Não sabemos como vamos sair disto". "Muitos hospitais já têm equipas de apoio psicológico, mas achamos que poderemos arranjar novas formas de apoio", acrescentou.
O bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, foca também a atenção no cansaço destes trabalhadores e refere que "a sobrecarga de trabalho é, neste momento, uma das principais queixas dos médicos".