Coronavírus

Covid-19. Mais de um quinto dos portugueses tem dificuldade em entender restrições da pandemia

REUTERS

Inquérito pretende avaliar as perceções e os comportamentos adotados durante a pandemia. Comunicação científica, política e da imprensa falha em ser percebida por todos. Sobre as vacinas, também chegam “más” informações. E os hábitos físicos e de saúde dos portugueses pioraram

23-02-2021

Cerca de um em cada cinco cidadãos considera difícil perceber as restrições e as recomendações das autoridades de saúde para lidar com as várias fases da pandemia em Portugal. E se a informação for obtida através da comunicação social, a situação piora: 37% tem dificuldade em perceber se a mesma é fiável.

Estas são duas das principais conclusões de um estudo feito a partir da ferramenta COSMO (Covid-19 Snapshot MOnitoring), criada pela Organização Mundial da Saúde com o objetivo de auscultar a população, cujos comportamentos têm um peso decisivo para travar a propagação do vírus, e perceber até que ponto a comunicação científica e política tem sido eficaz.

Em Portugal, o projeto está a cargo da equipa da COSMO.pt, formada por investigadores do Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Católica Portuguesa, no Porto, e do Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE).

Apesar das dificuldades, as autoridades de saúde ainda são em quem os portugueses mais confiam, a julgar pelo facto de 67% dos inquiridos ter posto a Direção-Geral da Saúde como a fonte mais importante de informação da pandemia, logo seguida dos médicos de família (59%).

Também a regra de isolar em confinamento os casos positivos e os contactos próximos recolhe larga aprovação, de 81% dos inquiridos, num estudo que contou com uma amostra de 750 participantes.

E que não ficou pelas perceções sobre a comunicação. Quanto às vacinas, de realçar que quase metade só aceita a toma se esta for gratuita (46%), praticamente a mesma percentagem que sente que a decisão de ser vacinado seria influenciada pelo risco de infeção na altura em que esse momento chegasse (42%). Quiçá mais alarmante é o facto de larga maioria ter dito que já teve contacto com informação que indica “coisas más” sobre as vacinas contra a covid-19.

O estudo chama-se “Monitoring knowledge, risk perceptions, preventive behaviours, and public trust in the current coronavirus outbreak in Portugal” [Fiscalizar o conhecimento, perceções de risco, comportamentos preventivos, e a confiança dos cidadãos na atual pandemia de coronavírus em Portugal] e a informação para esta primeira fase foi recolhida até ao fim de janeiro — o inquérito ainda está disponível aqui.

O momento agora é de interpretar estes dados, comparar com outros países e, no caso português, disponibilizá-los à DGS, como lembra Dália Nogueira, coordenadora do estudo pelo ISCTE. “Os dados recolhidos serão analisados pela equipa de investigação COSMO.PT e fornecidos à Direção-Geral da Saúde para que possam sustentar algumas decisões no âmbito da saúde e da presente pandemia”, cita o comunicado de apresentação de resultados.

Entre os temas abordados, além de comunicação e vacinas, há um terceiro, em que os indicadores não são positivos: os hábitos dos portugueses. O isolamento piorou a alimentação de uma parte (24% comeu alimentos menos saudáveis), quebrou o ritmo de exercício físico de quase metade (47%) e aumentou o consumo de álcool e tabaco (21% e 12%, respetivamente).