Coronavírus

Profissionais de saúde obrigados a devolver prémio de desempenho pelo trabalho na primeira vaga da pandemia

ESTELA SILVA/Lusa

Centro Hospitalar Universitário do Porto não revela quantos profissionais de saúde terão de devolver o prémio, mas confirma situação. Outros trabalhadores não foram sequer contemplados nas listas, apesar de considerarem que preenchem os requisitos. Sindicatos indicam que o problema se verifica à escala nacional

21-01-2021

Vários profissionais de saúde do Centro Hospitalar Universitário do Porto - que inclui o Hospital de Santo António e o Centro Materno-Infantil - estão a ser obrigados a devolver o prémio atribuído pelo trabalho prestado durante a primeira vaga da pandemia, entre 19 de março e 2 de maio, escreve esta quinta-feira o "Público".

O conselho de administração deste centro hospitalar confirmou a situação, apesar de não indicar quantos profissionais foram contactados para devolver o valor dos prémios: "Foi-nos dado um período de tempo curto para reportar superiormente a lista de colaboradores elegíveis. A tarefa foi complexa, indicando níveis de sucessivos de validação, nomeadamente das chefias diretas e das hierarquias intermédias."

Acontece que algumas validações a nível intermédio não foram confirmada pelo conselho de administração. Agora, os trabalhadores que receberam mais 50% do valor do seu ordenado base no mês passado poderão perder metade do salário base no próximo mês, avança o "Público". Os sindicatos aconselham os profissionais de saúde a pedirem justificações e garantem que "estas situações estão a acontecer em todos os hospitais do país".

Além dos profissionais que têm de devolver os prémios que receberam, outros queixam-se de não terem sido sequer contemplados, apesar de considerarem que preenchem os requisitos - prestar serviços em áreas covid-19 ou com casos suspeitos de infeção durante, pelo menos, 30 dos 45 dias do primeiro estado de emergência.

Os trabalhadores nesta situação tiveram oportunidade de pedir uma reavaliação do processo e, segundo o centro hospitalar, "foram revistas sistematicamente todas as situações, levando à inclusão de mais 410 colaboradores".