A ANEME - Associação Nacional das Empresas Metalúrgicas e Eletromecânicas defende “um quadro de apoio à capacidade de fundo de maneiro e reforço da tesouraria das empresas” e pede que seja “prático e de rápida operacionalização” de forma a poder ajudar de forma eficaz as empresas a enfrentarem os constrangimentos criados pela pandemia da covid-19.
“O princípio é o de que as empresas devem esperar do Estado e da sua máquina administrativa uma ajuda real e não apenas a boa vontade de simplesmente estabelecer um adiamento do pagamento das contribuições e impostos. Acrescendo que a operacionalização (isto é, a burocracia) para concretizar os eventuais apoios apenas anunciados determinará, como todos já compreendemos, que eles serão utilizados para pagar ...os funerais das empresas”, diz a associação num comunicado em que apresenta “um modelo operacional e eficaz” dividido em 5 medidas:
1 – O pedido de apoio deve ser apresentado a um banco portador de garantia do Estado;
2 – O valor do plafond de crédito a disponibilizar, em tranches, ao longo de seis meses, é limitado a 50% do valor da faturação no exercício de 2019;
3 – O período mínimo de amortização dos créditos é fixado pelo tempo que decorrer entre a sua disponibilização e a data oficial de extinção da pandemia;
4 – A data oficial de extinção da pandemia fixa o tero da mora para amortização dos créditos;
5 – Os juros e outros encargos bancários relativos aos créditos serão pagados pelo Estado;
Para a ANEME, a falar em nome de um sector que representa 22 mil empresa, 230 mil trabalhadores, um volume de negócios de 32 mil milhões de euros e mais de 30% das exportações nacionais, só assim estão a ser dadas condições para as empresas assumirem a garantia dos seus postos de trabalho. “E isso significa que os custos reais para o Estado serão muito menores do que o risco de ter de pagar os subsídios de desemprego que resultariam da extinção das empresas”, diz ao Expresso a diretora-geral da associação, Maria Luís Correia.
Agrupando subsectores de atividade como as indústrias metalúrgicas de base, fabricação de produtos metálicos, máquinas e equipamentos, aparelhos e instrumentos médico-cirúrgicos, ortopédicos e de precisão e material de transporte, assim como a reparação e manutenção de máquinas e equipamentos e outras indústrias eletromecânicas, a fileira representa aproximadamente 1/3 das empresas, da mão de obra, do volume de negócios e do valor acrescentado da indústria transformadora.
E se o mercado externo representa mais de metade das suas vendas, a ANEME acredita que as empresas da fileira serão, também, diretamente afetadas pela quebra de produção de outros sectores de atividade com os quais mantém relações a montante e a jusante.
O inquérito sectorial realizado pela associação é, também, um argumento usado no apelo lançado ao governo para agilizar “um verdadeiro auxílio estatal”: mais de 80% das empresas do sector indicam que o impacto esperado ao nível da redução de abastecimento e da procura será forte ou muito forte, apontando para uma redução da faturação na ordem dos 50% em abril.
Dez por cento das empresas do sector já suspenderam totalmente a produção e 50% já o fizeram parcialmente.