Jornal Reconquista

Capela guarda património de Bemposta

As peças estavam no lavadouro da aldeia e algumas desapareceram.
José Furtado/Reconquista

A aldeia mais pequena do concelho de Penamacor, distrito de Castelo Branco, abriu o seu núcleo museológico que reúne vestígios da época romana.

21-08-2009

A capela de S. Sebastião em Bemposta é o novo local de culto do património desta aldeia do concelho de Penamacor.

O espaço foi remodelado e reabriu como núcleo museológico, reunido um acervo constituído essencialmente por aras com inscrições romanas e estelas funerárias.

Os objectos estavam há muito nos lavadouros da freguesia, junto à igreja matriz, o que acabou por levar ao desaparecimento de alguns deles.   

"Infelizmente foram furtadas algumas pedras com valor", conta Luís Tomé, o presidente da Junta de Freguesia de Bemposta.

A autarquia chegou a apresentar queixa na Polícia Judiciária mas diz que o processo foi arquivado.

As peças que não foi possível integrar no museu deverão ser colocadas junto ao castelo, quando este for alvo da tão esperada remodelação.

A recuperação da capela de S. Sebastião é vista como uma oportunidade para chamar visitantes à aldeia mais pequena de Penamacor, mas que entre 1510 e 1836 foi sede de concelho.

"São estas pequenas obras que podem servir de pólos de atracção para que mais pessoas nos visitem", diz o presidente da junta de freguesia.

A reconversão da pequena capela em núcleo museológico é o resultado de um protocolo entre a Diocese da Guarda, a Câmara Municipal de Penamacor e a Fábrica da Igreja de Bemposta.

Domingos Torrão, o presidente da Câmara Municipal de Penamacor, realça a abertura que houve da parte do Bispo D. Manuel Felício para que esta solução fosse possível.

Para a autarquia o investimento no património de Bemposta é para continuar.

A aldeia, diz Torrão, "tem um património arqueológico que neste momento está a começar a ser desbravado".

Além das estelas e das inscrições romanas presentes na exposição salta ainda à vista um monólito que remonta à época dos Templários e que de acordo com os investigadores servia de marco de separação de território entre o concelho de Penamacor e o senhorio da Bemposta, que pertencia à Ordem dos Cavaleiros Templários.

Neste aparece o crescente lunar, que ainda hoje consta no brasão de Penamacor.

O núcleo museológico não estará de portas abertas em permanência, mas quem estiver interessado em visitar o espaço pode pedir na junta de freguesia - que fica a poucos metros da capela - para o fazer.

A aldeia que no próximo ano comemora os 500 anos do Foral tem há muito a promessa de requalificação.

Questionado sobre o processo, Domingos Torrão diz que a requalificação da aldeia só vai avançar depois dos estudos arqueológicos, que estão a  ser feitos pela associação Arqueonova, responsável pelos  trabalhos de arqueologia na zona histórica de Penamacor e em Meimoa.

A autarquia pretende ainda recorrer ao Programa de Desenvolvimento Rural Proder para recuperar habitações de particulares, diz o presidente da câmara penamacorense.