Análise

Análise. Um balão vermelho de oxigénio para António Costa respirar?

ANTÓNIO COTRIM

Há duas maneiras de ver a questão: o Governo ganha um parceiro para dar mais estabilidade à legislatura ou o PCP está a tentar vampirizar um PS fraco? À primeira vista, o primeiro-ministro foi o grande vencedor do congresso do PCP. À segunda, ainda estamos para ver... depende do preço do apoio dos comunistas

29-11-2020

Costa, amigo, o PCP não se importa de estar contigo!... É puxar já da calculadora, camarada "social-democrata" (João Oliveira dixit), e começar a fazer as contas às exigências comunistas para o próximo Orçamento do Estado, que assim o Governo evita o pântano em que começa a estar atolado. Resta saber se é mesmo isso que interessa ao primeiro-ministro, mas sobretudo ao país.

António Costa pode dar por bem empregue a estratégia de não ter censurado o PCP por causa do congresso de Loures e tem aqui um retorno positivo do investimento na relação de confiança com o líder comunista. Ao lado de Jerónimo de Sousa ou de João Ferreira, o primeiro-ministro foi um dos grandes vencedores do congresso do PCP: viu Jorge Pires, um dos mais influentes dirigentes do partido, transmitir ao congresso as bases doutrinárias que justificam uma "aliança": os comunistas "não baseiam o seu sistema de alianças em questões emotivas, mas em questões políticas" e os aliados "não são reservas", mas sim a convergência circunstancial daqueles "cujos interesses coincidem, numa ou noutra luta com objetivos concretos”. Quem é que Jorge Pires estava a citar? Álvaro Cunhal... Não é retórica vazia. (Pode ler aqui o artigo da Mariana Lima Cunha e da Liliana Valente sobre este posicionamento do PCP que saiu do Congresso).

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