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Louçã discorda de qualquer estratégia de saída do euro

Líder do BE diz que a ideia é " projeto macabro" preconizado pelos " idiotas úteis da senhora Merkel".

17-11-2011

O líder do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, afirmou hoje discordar na hipótese de saída de Portugal do Euro, porque nesse dia a dívida do pública do país duplicará, pela falência dos bancos.

"Cuidado com o monstro. A dívida pública portuguesa é grave e perigosa, e a dívida dos bancos é igual à divida do Estado. Nesse dia duplicamos a dívida pública portuguesa com a nacionalização dos bancos", afirmou, em Coimbra, num debate intitulado "Crise Económica e Social. Que respostas? Que soluções?".

Francisco Louçã afirmou discordar de qualquer estratégia de saída do Euro, e entende que isso está a ser preconizado pelos "idiotas úteis da senhora [Angela] Merkel". Esta saída, disse, "só favorece a destruição de uma politica europeia que é importante para a resposta à austeridade, e coloca a esquerda na posição inaceitável de propor a austeridade contra o seu povo".

O líder partidário admite que haja economistas a defender essa estratégia, que "só iria favorecer o setor exportador", com a desvalorização da moeda, na expetativa de que a indústria exportadora, mais tarde, investisse na economia e criasse emprego.

Na sua perspetiva, trata-se de um "projeto macabro", pois "a saída do euro faz-se para a desvalorização do salário, para a desvalorização cambial, para criar uma nova moeda", que no caso português poderia ser a retoma do Escudo.

"Os cálculos dizem que ele [o escudo] teria de ser desvalorizado em 50 por cento", fazendo com que os bens importados custassem "cinquenta por cento mais caro e o salário e as pensões passassem a valer metade do que valiam antes".

Para Francisco Louçã, com a nacionalização dos bancos falidos estar-se-ia "a socializar a perda gigantesca do capital financeiro", e a assumir o encargo de pagar a dívida pública duplicada, "em impostos, a pagar como for".

Sustenta que "a esquerda não pode dizer que a solução para a austeridade é uma austeridade mais brutal, curativa, muito rápida", com a crença de que "daqui a uns anos os patrões vão investir mais e salvar a economia" do País.

"Acho que isso não tem nenhum sentido do ponto de vista social. A esquerda tem de se colocar do ponto de vista de onde junta gente, onde se junta capacidade de luta, que é a defesa do salário", concluiu.