Além dos níveis de radiação, dentro da cápsula de um dos reatores nucleares danificados da central de Fukushima, se encontrarem a níveis suficientemente altos para matarem em minutos, o equipamento já quase não dispõe da água necessária para arrefecer o combustível.
Os dados obtidos terça-feira, através de um equipamento especial, com um endoscópio industrial, que penetrou na cápsula onde se encontra o reator 2, lançam novas dúvidas quanto à situação na central nuclear japonesa afetada pelo tremor de terra e tsunami há cerca de um ano estar realmente estabilizada.
Os níveis de radiação dentro da cápsula do reator 2 atingem os 70 sieverts por hora, declarou Junichi Matsunoto, porta-voz da Tokyo Electric Power Co, o que ultrapassa largamente os dez sieverts por hora detetados no ano passado numa conduta de extração partilhadas pelos reatores 1 e 2.
"É extremamente alto", afirmou, referindo que um endoscópio duraria apenas 14 horas nessas condições. "Temos de desenvolver equipamento que tolere níveis tão altos de radiação" para se proceder à remoção do combustível derretido na operação de desmantelamento do reator.
Reatores 1 e 3 devem estar ainda pior
Outro dado preocupante é o facto do nível da água necessária para arrefecer o combustível se encontrar com apenas 60 centímetros de altura, muito abaixo dos dez metros estimados quando o Governo japonês declarou em dezembro que a situação na central encontrava-se estabilizada. A central continua, contudo, a bombear água para dentro do reator.
Os dados são apenas referentes ao reator 2. Os reatores 1 e 3 estão tão danificados que não foi possível sequer efetuar o mesmo tipo de observação.
Mesmo fora da cápsula, os trabalhadores da central apenas podem permanecer próximo do reator 2, com equipamento especial e por curtos períodos.
Deverá demoras décadas até se conseguir concluir o processo de desmantelamento da central nuclear de Fukushima.