O coordenador do Bloco de Esquerda e deputado desde 1999 convocou, hoje, os jornalistas para lhes comunicar a intenção de abandonar o lugar de deputado. Em vésperas da convenção nacional do BE, que deverá eleger como líderes a dupla João Semedo e Catarina Martins, o coordenador e fundador do partido deixa, assim, espaço aberto para a afirmação dos próximos dirigentes.
Francisco Louçã prometeu continuar a "vida política com os mesmos valores e com a mesma dedicação ao BE", mantendo "a luta sem tréguas pela justiça social". Na despedida do seu cargo de deputado, que ocupou durante os últimos 13 anos, Louçã prometeu dedicar "o que sei e o que posso à luta por um Governo de esquerda contra a troika e, para isso, ao esforço de criar pontes e caminhos novos, de juntar competencias, de ajudar a levantar a força deste povo".
A defesa de um Governo de esquerda é necessária "para romper com o memorando e para defender Portugal". "Contribuirei intensamente para isso porque, para lá chegar, é preciso convicção e uma paciência impaciente que nunca desiste. Nunco desisto, nem me canso disso, que é o essencial", disse Francisco Louçã.
Fora da discussão do Orçamento
Economista e professor universitário, Francisco Louçã não estará presente na próxima discussão do Orçamento do Estado. O seu lugar na bancada parlamentar do Bloco será ocupado por Helena Pinto.
O anúncio da sua saída do Parlamento surge logo após as jornadas parlamentares do Bloco - que decorreram segunda e terça-feira, em Lisboa - e onde o partido apresentou seis medidas para salvar a economia. A Convenção Nacional do Bloco, que nomeará os próximos dirigentes, decorre nos dias 10 e 11 de novembro.
Em agosto, Francisco Louçã deixou clara a intenção de deixar a coordenação do BE, mas manteve em aberto a possibilidade de continuar a sua actividade política. Numa carta aberta aos militantes, publicada no Facebook, Louçã dizia: "Durante treze anos, dei tudo o que podia e sabia ao nosso movimento" e enfrentou cinco primeiros-ministros.
Francisco Louçã tem 56 anos, apoia a moção A à Convenção e a solução de liderança conjunta de João Semedo e Catarina Martins. Foi deputado durante 13 anos e candidato à Presidência da República.