A 11 de Março de 2011, quando a terra tremeu no Japão, Shihoko Yamasuga Gouveia estava em Tóquio, num 11º andar de uma amiga. O susto foi grande. Durou mais de dois minutos e, embora a esta japonesa radicada em Portugal há 30 anos, não tenha acontecido nada, não lhe foi possível regressar a Cascais e ignorar o rasto de destruição no seu país natal, que o mundo inteiro testemunhou.
Um ano depois, Shihoko recebe 24 crianças de Fukushima. Quer proporcionar-lhes uma semana inesquecível para as tentar fazer esquecer o que viveram. É a sua forma de ajudar.
Com idades entre os 12 e 15 anos, as crianças que chegaram hoje de manhã ao aeroporto de Lisboa são órfãs ou perderam familiares no dia da tragédia e vivem ainda em abrigos temporários devido ao acidente na Central Nuclear.
Uma semana para boas memórias
Shihoko Gouveia, 75 anos, só as vai conhecer hoje, mas sabe das suas histórias. "Não conseguem dormir, algumas não comem, é muito difícil que esqueçam o que viram e tudo o que lhes aconteceu", conta.
Daí a ideia de as trazer, iniciativa sua, que vai custear também, na esperança de que levem algumas boas memórias, para variar.
Durante a semana que vai durar esta visita, o programa de actividades é extenso. O grupo vai ser recebido pelo Presidente da República e pelo presidente da câmara de Lisboa, António Costa, vai conhecer o Estádio de Alvalade, o Mosteiro dos Jerónimos, vários museus... "Acho que vai ser bom", acredita Shihoko.